Uma aluna de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) é acusada pelos colegas de desviar aproximadamente R$ 927 mil do fundo de formatura da turma, que irá terminar o curso neste ano. De acordo com a comissão, a suspeita de 25 anos afirmou que transferiu a quantia para uma conta pessoal e diz ter aplicado R$ 800 mil em uma corretora de investimentos, que a teria enganado e ficado com o dinheiro. O restante do valor teria sido usada para pagar advogados na tentativa de recuperar o valor. O desvio foi observado no dia 6 de janeiro e uma das vítimas registrou a ocorrência na delegacia no dia 10. Em nota, a turma diz que “a atitude isolada não representa moral e eticamente a postura dos demais membros desta Comissão e os mais de 110 alunos aderidos, vítimas dessa conduta.”
Ao contrário do caso semelhante registrado em Santa Maria, a empresa contratada pela turma disse que todas as transferências foram realizadas conforme estabelecido no contrato, e que estão à disposição das autoridades para o fornecimento de documentos para o andamento das investigações.
Até o momento, a estudante investigada não quis se pronunciar.
Investigada por estelionato e lavagem de dinheiro
Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a estudante, que já era investigada por estelionato e lavagem de dinheiro, teria realizado grandes apostas em uma casa lotérica na Zona Sul de São Paulo. O prejuízo foi de R$ 192,9 mil aos proprietários. Em julho de 2022, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar os fatos. Segundo o depoimento de representante da lotérica divulgado pelo G1, a suspeita agiu da seguinte forma:
Em abril de 2022, realizou quase R$ 20 mil em apostas na ‘Lotofácil’, todas pagas via Pix;
Depois disso, fez várias apostas em grandes valores. No total, ela teria apostado R$ 461 mil;
Em julho de 2022, ela teria solicitado R$ 891,5 mil em apostas;
A gerente da lotérica questionou sobre o pagamento, e a suspeita disse que foi realizado um agendamento;
A estudante teria realizado uma transferência de R$ 891,53 reais, na tentativa de fazer com que os funcionários da lotérica pensassem que seria o valor total de R$ 891,5 mil;
Após uma breve discussão, a suspeita saiu da lotérica sem pagar cinco apostas de R$ 38,7 mil cada.
No total, o prejuízo foi de R$ 193,8 mil.
O que diz a comissão de formatura
A Associação de Formatura da 106ª Turma do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo informa que, no dia 6 de janeiro de 2023, teve conhecimento de que a então Presidente desta comissão retirou, sem o conhecimento e consentimento de qualquer outro membro da comissão, um montante totalizando aproximadamente 927.000,00 reais. A atitude isolada não representa moral e eticamente a postura dos demais membros desta Comissão e os mais de 110 alunos aderidos, vítimas dessa conduta.
Ressalta-se o entendimento desta comissão de que a [suspeita] descumpriu nosso Estatuto ao movimentar esse montante sem a assinatura de nenhum outro membro e transferindo-o a uma conta pessoal sua. Na data do 6 de janeiro de 2023, a Comissão da Turma 106 tomou conhecimento dos fatos por meio de uma mensagem de WhatsApp em que a [suspeita] confessava as transferências para uma conta pessoal sua. Ela alega ter perdido cerca de R$ 800,000.00 reais investindo em um esquema supostamente fraudulento da empresa “Sentinel Bank”. O restante, confessa ter utilizado para, em cunho pessoal, contratar advogados para tentar reaver o dinheiro perdido. O montante de cerca de 927.000,00 foi arrecadado durante 4 anos pela empresa ÁS Formaturas.
De toda a história contada pela [suspeita], o único fato que temos certeza é a transferência do montante guardado sob custódia da empresa ÁS Formaturas para uma conta pessoal dela. Ainda estamos averiguando em que contexto foram realizadas as transferências.
O que diz a Faculdade de Medicina da USP
A Diretoria da Faculdade de Medicina foi informada que a Comissão de Formatura e, portanto, os alunos aderentes à formatura da Turma 106ª, foram vítimas de fraude após investimento do recurso arrecadado para organização das festividades de celebração, que ocorrerá ao final de 2023.
Os fatos estão sendo apurados, buscando-se identificar os responsáveis pela fraude e a Diretoria está apoiando na orientação aos alunos envolvidos.
O que diz a ÁS Formaturas — empresa contratada
Com relação ao caso da MED USP 106, é necessário destacar que a ÁS não se comprometeu com a realização ou produção de qualquer evento. A responsabilidade da ÁS no contrato limitava-se a arrecadar os valores dos formandos e transferir para a turma, além da realização da cobertura fotográfica. Neste sentido, todas as transferências foram realizadas rigorosamente conforme estabelecido nas cláusulas contratuais.
Estamos à disposição das autoridades para o fornecimento de contratos, documentos, e-mails e demais informações. Finalmente, gostaríamos de informar que mesmo estando isento de responsabilidades legais, estamos em contato com a comissão de formatura para buscar algum tipo de solução que viabilize a realização do evento planejado.
*com informações do G1
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